O Sadhu Branco – incrível história

SAHIB SADHU – O Sadhu Branco

Sushil Choudhury, Shree Maa e Devotos

 

 

Histórias de Sushil – Sahib Sadhu

 

Ele chegou em nossa vila no interior de West Bengal, num dia de verão de 1970. Parecia que tinha vinte e poucos anos. Ele obviamente era um estrangeiro, com sua pele clara, cabelo marrom e olhos azuis, mas estava vestido como um sadhu. Carregava uma manta e um pote de água, uma pequena bolsa com poucas peças de roupa e um par de livros. Ninguém sabia de onde ele tinha vindo, mas ele falou em Bengali quando sentou-se perto do templo e pediu uma xícara de chá.

Eu tinha cerca de treze anos naquele tempo, estudando no oitavo grau, e ele era o primeiro homem branco que eu tinha visto. Alguns de meus familiares eram sacerdotes Brahmins do templo, e meu pai possuía uma loja de materiais para venda e alugava utensílios para os solos de cremação. Pensávamos que tínhamos visto muito, tendo ficado a maior parte de nossa vida num templo Hindu, e fazendo os ritos de passagem de todos os aldeões nas redondezas. Mas este Sahib Sadhu era fascinante para mim, e eu o observava a distância, com vergonha de me aproximar dele.

Após beber uma xícara de chá das pequenas panelas que nós quebrávamos após o uso, ele caminhou para além do tanque de banho de águas quentes e da velha árvore baniano em direção ao rio. Eu o observei tomar banho na parte mais quente do rio, nas transbordantes águas quentes. Ele nadou um pouco e quando se sentiu refrescado, saiu, pegou sua gamcha, uma toalha Indiana, secou-se e então mudou sua roupa. Pegou seus pertences e voltou para a árvore baniano, arrumou seu asana e sentou-se sob a árvore em uma postura de yogue. Começou a cantar o mais melódico Sanscrito que já ouvira, e então fechou os olhos e em poucos minutos tinha se ido.

Eu nunca tinha visto nada igual antes. Seu corpo estava imóvel, sua respiração parecia ter parado e a mais divina luz emanava de sua forma física. Ele estava sentado na minha frente e ainda assim parecia ter entrado num reino que estava a anos luz de distância da aldeia que cercava sua forma imóvel. Um beatífico sorriso agraciava seus lábios, mas não havia sinal de movimento ou reação a ruído, nem suor, nem o mais leve movimento. Ele estava em samadhi. Durante aquelas primeiras semanas que ele viveu nos solos de cremação, eu só o observava. Ele se levantava cerca de três da manhã e se sentava na parte mais quente das águas. Essas águas eram tão quentes que os sadhus vinham todo inverno dormir nas pedras ao redor dos tanques de banho, poucos se propunham a sentar-se diretamente na água. Eles amarravam uma troxinha de arroz e dhal e jogavam em um dos tanques. O pacote afundava e começava a cozinhar. Quando o arroz estava cozido flutuava na superfície. Usando uma vara eles pescavam o pacote, abriam e adicionavam alguma massala e outros temperos, depois sentavam se para comer.

Swamiji recitou todo o Chandi Path numa manhã enquanto estava sentado na água quente. Então ele realizou alguns exercícios de yoga. Ao amanhecer ele retornou ao baniano e organizou seu puja. Ele realizava o puja com o que quer que pudesse encontrar: folhas, grama, grãos de arroz. Depois, de conhece-lo, as crianças da vila adoravam trazer flores para sua primeira adoração de cada manhã. Ele adorava no mínimo até 9:30 ou 10:00 horas. Parava um pouco por cerca de meia hora antes de sentar-se e cantar o Chandi novamente. Usualmente era depois do por do sol quando ele se levantava de seu assento. Então ele pegava dois sinos, um em cada mão, tocando-os ruidosamente para que toda a aldeia ouvisse, enquanto cantava canções do Arati. Logo toda a aldeia vinha ao reconhecerem o som do Arati vespertino de Swamiji e isso se tornou motivo de conversa por toda a vila. Apenas com sua constante e resoluta adoração, este solitário Sahib Sadhu tinha começado a mudar nossas vidas.

 

RISHI AMRITANANDA

 

Não sabíamos muito sobre ele, somente o que víamos, assim como a grande número de rumores que passaram pela aldeia. Ele tinha viajado a pé pelos Himalayas e foi lá que encontrou seu primeiro Guru, o grande Rshi Amritananda. Quando, ainda mais jovem, ele viu pela primeira vez Amritananda, o amado sábio estava radiante com a luz de sua tapasya. Ele me falou mais tarde que pensou que estava vendo o próprio Senhor Shiva. Ao ver o grande Guru ele pensou, “Meu Deus que privilégio estudar com tal homem.” E aproximou do sadhu dizendo: “ Desejo aprender sobre sadhana, seria um privilégio para mim se você me ensinasse.”

“Oh, você veio?” respondeu o homem santo com grande deleite e amor. “Eu tenho esperado muitos anos por você. Onde você estava todo esse tempo? Venha devemos começar nosso trabalho hoje mesmo. Temos muito o que fazer. Sou um homem velho e tenho pouco tempo.” Nesta noite o Guru levou-o até sua casa, uma pequena caverna com um fogo acolhedor, só grande o bastante para acomodar duas pessoas. Por toda a noite Amritananda falou ao seu novo discípulo sobre o Sanatana Dharma, o eterno ideal de perfeição. “Meu tempo é curto, assim você terá que aprender rapidamente, “disse-lhe o Rshi Amritananda. “Você tem que aprender enquanto tolera muito sofrimento, com um mínimo de alimento e de sono. Você terá que aprender o Gita, o Chandi e o Ramayana, e todas as grandes literaturas da Índia. Primeiramente iremos estudar os Vedas”. Eles continuaram em seu caminho por uma semana, dormindo e comendo pouco.

Somente depois de ficarem sete dias e sete noites desse jeito é que o Rshi Amritananda sentiu que tinha de fato um discípulo, um indivíduo de inigualável dedicação e devoção. “Alexandre o Grande veio à Índia conquistar a terra, mas você irá conquistar a alma, “ falou-lhe o Guru. “ Ele estava condenado a cair, mas você não falhará. Você será um verdadeiro Guru. Virá o dia em que você espalhará sua sabedoria no Oriente e Ocidente e terá muitos seguidores em cada continente. Eu dou a você minhas bênçãos.”

Depois desse dia o Rshi Amritananda perguntou-lhe, “Se você quiser ficar e ser parte desse país, você deve viajar comigo para entender a vida de um sadhu. Gostaria de vir comigo em uma peregrinação espiritual?” O jovem estrangeiro ficou extasiado com tal oportunidade. “ O que levarei comigo?” perguntou o jovem estudante.

“Nada. Se você deseja aprender a confiar em Deus, então não leve nada com você. Você somente precisa acreditar que tudo que você precisa sempre será providenciado para você. Somente leve sua fé e seu desejo de estar com Deus.” O jovem respirou fundo e pensou profundamente, desejando saber o que nada significava. “ Nem mesmo um cartão de crédito ou cheques de viagem?” perguntou. “ Nada”, respondeu seu recém encontrado Guru. O jovem estava excitado, trêmulo de medo e de alegria a medida em que os dois preparavam sua jornada. Ele sabia que sua vida estava mudando de modo extraordinário. Ele sabia que sua busca no passado de muitos anos tinha acabado. Ele tinha encontrado seu Guru. O trabalho de sua vida estava para começar.

 

ACENDENDO A CHAMA

 

Antes de embarcar o Guru disse, “Você deve usar roupas indianas.”. O jovem estrangeiro, que estava vestindo um jeans desbotado e camisa, respondeu: “ Não sei usar roupas indianas.” Assim seu novo Guru mostrou-lhe como amarrar o dhoti ao redor de sua cintura.

O Rshi Amritananda ensinou ao jovem muitas coisas grandes e pequenas. Em sua primeira noite na floresta , o jovem sentou-se e começou a perguntar ao seu mestre algumas das questões que tinha carregado com ele por anos enquanto buscava a verdadeira sabedoria. “Espere” disse Amritananda.”. Toda a filosofia no mundo não irá aquece-lo nesta noite . Primeiro você deve aprender a fazer fogo.”

“O que isso tem a ver com iluminação?” perguntou o jovem. “Eu venho de um país onde esse tipo de conhecimento não é necessário. Nós somente mexemos no termostato até a temperatura desejada e automaticamente será feito o ajuste.”

“Por que você viveu em tal meio artificial, sua mente saiu de seu estado natural. Você tem que sacrificar sua paz e conforto. Eles são diametralmente opostos” respondeu o Guru. A quantidade de conforto que um indivíduo persegue, é igual a quantidade de paz que foge dele. Tanto quanto a pessoa tenta satisfazer o corpo, igual é o descontentamento da mente Em seu movimento de volta ao estado mais natural de paz mental, que é o estado natural de cada ser humano, você deve sacrificar seu conforto, assim como suas confusões, que nascem de seus apegos conflitantes. Agora aprenda como acender o fogo.”

Rshi Amritananda mostrou ao jovem como escolher e misturar pedaços de madeira de modo que pudesse conseguir rapidamente fazer um bom fogo com um máximo de calor. Ele ensinou-o a olhar aquelas que naturalmente iria rapidamente conseguir fogo, mesmo com a madeira molhada. Ele ensinou a seu novo discípulo a como fazer amizade com o fogo e como tratá-lo com respeito para permitir que consiga oxigênio bastante para queimar, mas não tanto que queime rapidamente e congele na metade da noite.

 

NASCE SATYANANDA

 

O jovem estrangeiro não sabia absolutamente nada sobre a cultura da Índia, vivendo na floresta, seu Guru gastava horas todo dia ensinando o anelante discípulo sobre a desconhecida, rica, vasta cultura e história desta antiga terra da Índia. Eles passaram muitos dias juntos dessa maneira. Ele ensinou-lhe como comer: “Você deve usar suas mãos para comer. Suas mãos são a colher de Deus”. Disse-lhe ele.

Ele ensinou-o como sentar-se em meditação: ”Cada movimento do corpo é um reflexo do movimento da mente. Para manter sua mente quieta, você deve fazer seu corpo físico sentar-se imóvel”  Ele ensinou-o como cantar os mantras Sanscritos, “Man trayate iti mantra, aquilo que leva para longe sua mente. San significa ‘tudo junto’ e kri significa ‘fazer’. Na nossa linguagem de comunicação é literalmente ‘O que fazemos juntos’ Os mantras que fazemos juntos leva nossa mente e entra no reino da experiência intuitiva.”

Apesar de suportar grandes sofrimentos, o jovem nunca desistiu. Ele caminhou com seu Guru e aprendeu sobre o Sânscrito, os Vedas e os Upanishads. Após seis meses de andarem juntos por campos e florestas, cidades e vilas, nos vales e montanhas, eles vieram a uma caverna onde seu Guru falou que eles deveriam descansar por um tempo. Foi então que sua próxima fase de aprendizagem começou . “Nós nos sentaremos aqui por um tempo”, disse o Rshi Amritanananda. “ Então tomaremos um voto de não sentarmos sob qualquer construção pelos próximos três anos.”

Com essas palavras eles começaram o estudo do reverenciado Rig Veda e o discípulo começou a aprender o método de adoração chamado yagya, envolvendo uma intrinsecamente bela cerimônia de fogo. Alguns de seus yagya duravam cinco dias, alguns sete, alguns vinte e um, cento e oito, e mesmo mil dias. ( De fato, em quatro ocasiões Swamiji realizou o Sahasra Chandi Yagya. Cada um desses yagyas levava mil dias – cerca de três anos cada – e ele ficava envolvido na prática contínua de sua disciplina espiritual sem sair de perto do fogo sacrificial nem mesmo por um dia. No total Swamiji ficou doze anos de sua vida realizando o famoso Sahasra Chandi Yagya, uma disciplina descrita nos Puranas, mas raramente realizada em tempos modernos.)

O estudante dedicou-se por seis anos para aprender tudo o que ele podia sobre cerimônia de fogo, homa e yagya. Após Swamiji ser um mestre em cerimônias de fogo, ele voltou ao aprendizado do Chandi Path e depois do Devi Bhagavatam e Bhagavad Gita, e estudou os outros Vedas, Puranas e Itihas ou Histórias da Índia. Ele tornou-se mestre em tudo isso e então compartilhou seu conhecimento das escrituras Védicas como um brilhante contador de história.

Satisfeito com a realização do seu discípulo, o Rshi Amritananda chamou-o de Satyananda, a Bem aventura da Verdade. Dando-lhe seu novo nome, Amritananda falou-lhe: “De agora em diante você pode esquecer sua vida passada, seu nome antigo, suas lembranças passadas. Você agora é a Bem-aventura da Verdade. Você pertence ao mundo. Você ajudará muitas pessoas a encontrar a paz. Todo o mundo verá seu exemplo, e desejará aprender e cantar com você. Mas primeiro você deve realizar tapasya, austeridades purificatórias. Você deve aprender e praticar como sentar, como cantar, como respirar. Somente então você será capaz de reconhecer sua verdadeira divindade.”

 

BAKRESWAR

Foi em 1970 que Rshi Amritananda e seu discípulo viram a Bakreswar. Minha vida mudou naquele ano porque o homem que tornou-se meu Swamiji logo tornou-se uma importante parte dela. Satyananda e seu Guru ficaram numa cabana perto do lugar de cremação. “Irei meditar aqui em honra do Sadhu Bakra” disse Amritananda. A lenda diz que Sadhu Bakra meditou por sessenta mil anos naquele lugar. É dito que quando ele ainda estava no útero de sua mãe, ouviu seu pai cantando os Vedas. Para o total espanto de seu pai, ele ouviu seu filho ainda não nascido dizer, “Você está cometendo muitos erros. Seu ego está controlando você.” Seu pai, furioso por esta criança ainda não nascida ter falado com ele daquela maneira, amaldiçoou seu filho, dizendo: “ Você irá nascer deformado”  Quando a criança nasceu todos os seus dedos eram tortos. “ Que maldição deu você ao seu próprio filho?” chorou a mãe horrorizada. O marido, agora em paz, assegurou à sua esposa que se o menino meditasse por mil anos, ele satisfaria Shiva e a maldição seria retirada. “O menino se tornará um grande sadhu, “ ele disse.

E seu pai estava certo. Após realizar austeridades por mil anos, Shiva ficou satisfeito e abençoou Sadhu Bakra. Neste tempo o cabelo do sadhu tinha crescido inacreditavelmente. Ele então sacudiu-o em sete direções, e de cada um desses sete pontos saiu água quente do solo. Bakranath ainda é a fonte dessa água quente.

Quando Satyananda chegou a Bakreswar, ele banhou-se nas sagradas águas quentes e começou sua meditação. Ele levantava de madrugada, se banhava e meditava. Depois visitava os aldeões, tanto os ricos quanto os destituídos e aprendia sobre os costumes locais e a cultura indiana. Após realizar prática espiritual diária, Satyananda ficava horas discutindo as escrituras védicas e outros ensinamentos com seu amado Guru, freqüentemente até tarde da noite. Este foi o início da curta estada de Satyananda em Bakreswar.

Quando eu vi Satyananda pela primeira vez realizando yagya, sua poderosa aura cativou-me. Eu nunca tinha visto um sadhu como ele antes. Eu não falava Inglês naquele tempo, assim só o observava silente. Eu era apenas um menino de treze anos. Contudo eu continuava a voltar a vê-lo. Eu não podia resistir. Toda vez que eu o via, eu era tentado a me aproximar e falar com ele, mas eu não conseguia coragem para isso. Finalmente uma semana depois da primeira vez que o vi, eu finalmente lhe falei. Falei que desejava vê-lo meditar e realizar o puja. Ele sorriu e respondeu, “Venha qualquer dia. Se você vier de manhã, irá ver minha programação diária. Alguns dias eu faço puja, outros faço homa, e recito o Chandi” Assim eu agradeci e aceitei seu convite. Esse foi o inicio de minha aventura espiritual.

 

O TESTE DO FOGO

Um dia o Rshi Amritananda convidou todos os aldeões, educados e iletrados, ricos e pobres, para assistirem a realização de um yagya. Os sacerdotes locais também vieram. O fogo deveria ser aceso na maneira tradicional, simplesmente friccionando duas varas de madeira. Essas varas eram chamadas Arani e Matandanda. Todos os presentes foram convidados a tentarem acender o fogo. Os sacerdotes riram e disseram, ” Somente um Brahmin pode acender o fogo pelo método védico”. Todos que tentaram falharam. Então o Guru chamou Satyananda. Pensativamente, receosamente Satyananda começou a tarefa. Com as mãos trêmulas ele começou a friccionar as varas juntas. Sua face ficou vermelha com o esforço, suas mãos ficaram cheias de bolhas, e ainda assim Satyananda continuava esfregando, todo o tempo ele cantava mantras sagrados para o yagya. Finalmente após persistir por duas horas, Satyananda acendeu o fogo do yagya. Tendo provado sua atenção focalizada e vontade de ter sucesso na tarefa que lhe foi dada pelo seu Guru, a multidão que estava assistindo ficou muito feliz. Todos gritaram “Swami Satyananda Ki Jai!” Os Brahmins reconheceram que Satyananda era igual a eles, e seu Guru ficou muito orgulhoso de seu conceituado discípulo. Uma vez que o fogo tinha sido acesso, o Rshi Amritananda e os outros sacerdotes começaram o homa, que continuou por toda a noite, não terminando até oito horas da manhã seguinte. Este foi um dos muitos acontecimentos na notável vida de Satyananda.

 

SUPERANDO PRECONCEITOS

Meus amigos, como a maioria dos aldeões, eram descrentes do misterioso sahib. Alguns eram mesmo desdenhosos. Um velho sacerdote, Ashok Mukhapadhyay, entretanto, disse que Satyananda não era uma fraude, mas suas palavras foram ignoradas. Satyananda era escarnecido e zombado por muitas pessoas da cidade, especialmente os arrogantes sacerdotes Brahmins. “Vá para seu país, você é um estrangeiro! Nunca irá aprender nossa cultura. Isso levaria milhares de anos. As pessoas virão a nós quando desejarem alguma coisa. Por que iriam até você?” Satyananda não prestava atenção ao que diziam e continuava cantando, meditando e estudando, como seu Guru tinha instruído.

Dentro de poucos meses, entretanto, mesmo esses sacerdotes egoístas começaram a realizar que o velho sacerdote tinha falado a respeito de Satyananda estava correto. Este homem não estava brincando. Satyananda provou seu valor a eles de muitas maneiras, e eles finalmente começaram a tratá-lo com respeito sendo mais hospitaleiros com ele. Uma vez tendo alcançado seu respeito, Satyananda começou a compartilhar algumas de suas notáveis histórias e gemas de sabedoria com os aldeões.

Eu tornei-me seu amigo, seu discípulo, seu assistente. Tive a honra de trazer-lhe comida e estar constantemente com ele. Eu comi com ele e dormi no chão perto dele. Todo dia depois da escola eu visitava Satyananda. Eu tinha sorte de meus pais estarem apoiando. Eles supriam-nos com comida me permitiam ficar a maior parte do meu tempo na companhia desse grande homem. Eu passei dias muito felizes com Satyananda sob uma mangueira na margem do rio. Ele me ensinou Inglês e Sanscrito e muitos assuntos. Em um pequeno período de tempo, todos os aldeões tinham aprendido a amar, admirar e respeitar Satyananda. Ele e seu Guru Amrtananda ficaram em Bakreswar por muitos anos. Eles estudaram, meditaram cozinharam, plantaram e ficaram um tempo com os aldeões.

 

O FAZEDOR DE CHUVA

 

Por alguma razão os Devas tornaram-se zangados com os aldeões de Bakreswar. Era 1972 e não tinha chovido o suficiente por dez anos. O gado morria de sede e fome e a colheita se recusava a crescer. Os miseráveis fazendeiros labutavam em vão na terra árida, ressecada pelo sol implacável. Os sacerdotes da aldeia realizavam pujas em vão, pedindo aos Devas para trazerem a chuva, mas suas preces eram ignoradas. Como um último recurso, alguns fazendeiros resolveram se aproximar do sadhu estrangeiro e pedir ajuda. “Estamos em uma terrível condição. Por favor realize um yagya para apaziguar a cólera dos Devas e trazer-nos a chuva. Iremos alegremente preparar tudo o que você precisar. “ Swamiji somente respondeu, “Não preciso de nada a não seu amor puro.”

Era a última semana de Setembro quando Satyananda começou sua cerimônia de fogo para Indra, o Deus da Chuva. No primeiro dia do Indra yagya, Satyananda orou para todas as Deidades celestiais. Todos os aldeões estavam presentes. Os sacerdotes egoístas olhavam silenciosa e desdenhosamente. “ Olhe a audácia deste insolente estrangeiro. Ele pensa que pode ter sucesso quando mesmo nós que somos os sacerdotes desta aldeia, temos falhado.”

Por quatro dias Swamiji infatigavelmente continuou seu yagya, com os ritos de manhã até a noite. Quando o quinto dia tinha se passado, os aldeões perderam a esperança e sentiram que Satyananda também não teria sucesso. Então, no sexto dia o céu escureceu de manhã e começou a chuviscar, Por toda a noite caiu um aguaceiro torrencial que continuou por toda a noite do sétimo dia. No oitavo dia toda a vila, que agonizava com a falta de água, ficou inundada. Muitas casas tinham sido arrastadas e a destruição estava por toda parte. As pessoas estavam retirando o que tinham em casa devido ao alagamento. Muitas pessoas ficaram toda a noite no telhado para escaparem das violentas águas. Todo o distrito foi declarado como uma área de desastre nacional.

No crepúsculo do oitavo dia as águas começaram a baixar. O lugar onde Satyananda realizou o Yagya estava completamente submerso na água. Ninguém tinha ousado se aventurar a ir lá e arriscar-se nas águas. Mas quando os céus se acalmaram e a inundação baixou, nossos aldeões começaram a sussurrar entre si:” Não podemos ver Satyananda em nenhum lugar. O que aconteceu com ele? Ele deve ter perecido na inundação. Ele nem mesmo tem uma casa nesta aldeia. Devemos encontrar o corpo, se for possível”

Na manhã do nono dia, alguns aldeões pegaram um bote e foram onde tinham visto Satyananda pela última vez. Eu estava entre eles. Nós buscamos seu corpo em todos os lugares, mas ele não foi encontrado em parte alguma. Repentinamente alguém exclamou:” Posso ouvir o som de um canto vindo daquela grande árvore lá!” Todos nós olhamos e para nosso espanto, era Satyananda sentado no galho da árvore, ainda cantando seu Chandi Path. Ele estava oferecendo folhas da árvore no seu puja.

Ao ver-nos, Satyananda, encharcado e tremendo de frio, desceu da árvore e abençoou aqueles que estavam presentes ali, “Sei que você sofreram Indra agora está satisfeito e vocês todos serão beneficiados com esta chuva.” Os envergonhados sacerdotes que não tinham acreditado em Swamiji, ofereceram-lhe roupas secas e doces. Satyananda abençoou-os e pediu-lhes para orar com grande sinceridade. Somente assim eles teriam sucesso em sua vida espiritual. Os aldeões agora tinham toda a evidencia de que precisavam para saber que eles estavam na presença de um genuíno Rshi. Satyananda tornou-se o filho adotado de nossa aldeia. Ele sempre é bem vindo em todas as casas. As pessoas disputavam a honra de hospedá-lo. Contudo ele sempre residiu nos lugares de cremação.

 

NUTRINDO TODOS COM CONFORTO

Foi em 1974 em Bakreswar que Satyananda realizou um pequeno yagya de quinze dias em um templo localizado sob uma árvore banyan. A árvore era chamada Akshaybatabriksha, que literalmente significa ” a indestrutível árvore baniano”. A área ao redor do templo e da árvore era a residência de muitas cobras venenosas, especialmente cobras mortais.

Nós tínhamos estado visitando Satyananda regularmente nos primeiros quatorze dias da cerimônia de fogo, mas nenhum de nós ficou a noite com ele. No quinto dia Swamiji chamou a mim, alguns poucos de meus amigos e alguns outros devotos. Ele desejava que fizéssemos rice pudding. Nós fizemos o que ele pediu e fizemos o bastante para cerca de cem pessoas. Depois de pronto, colocamos o doce num pote com uma concha e cobrimos com um pano. Todos nós ficamos a noite no templo, observando o yagya com Swamiji porque ele nos instruiu a não deixar o templo sob nenhuma circunstância. O yagya terminaria na manhã seguinte. Ao fim da cerimônia no dia seguinte, Satyananda chamou-nos na janela, o que nos dava uma clara visão da árvore. “Olhe perto daquela árvore” disse ele placidamente. O que vimos fez nosso sangue gelar. Lá fora estavam três grandes cobras, com seus capelos levantados. “Por isso eu instruí que vocês não saíssem. Estas não são cobras comuns. São visitantes celestiais que vieram observar o yagya. Se vocês as perturbarem, poderão ter sérias dificuldades”. Satyananda disse, a medida em que fechava a janela. “irei recitar mantras para essas três cobras, assim elas poderão voltar para suas casas”. Ele sentou-se em profunda meditação por alguns minutos, abençoou nosso assombrado grupo de testemunhas e propôs que esperássemos um pouco. Quando Satyananda nos disse que estava tudo bem, nós ansiosamente olhamos para a árvore, mas não encontramos nenhum sinal de nosso estranho hóspede celestial.

O yagya terminou. Satyananda convidou os aldeões e instruiu-nos a servir o doce que tínhamos preparado na noite anterior. Parecia obvio pelo número de visitantes que não haveria bastante para alimentar todos. Falamos com Satyananda sobre nossa preocupação. “Mantenha o pano cobrindo o pote e apenas sirva o doce.” assegurou-nos ele. “Deus está feliz com o puro amor e devoção. “Com hesitação começamos a servir os visitantes. Após alimentarmos cem pessoas, estávamos certos de que iria acabar, mas o pote ainda estava cheio. Após duzentas pessoas terem comido, pensamos, “Isto é impossível. Não fizemos o bastante para duzentas pessoas.” Mas as pessoas continuavam vindo, e o pote nunca ficava vazio. Finalmente, quando a noite chegou, para nosso grande assombro, descobrimos que tínhamos servido quinhentas pessoas com porções generosas e ainda tinha doce no pote! Como este pote de doce, nosso coração nunca sentiu a falta das bênçãos de Deus ao redor de Satyananda.

 

SWAMI  

Depois de ficar doze anos com seu Guru, Satyananda estava pronto para tornar-se um Swami. Ele realizou yagya por sete dias e alimentou milhares de pessoas com kicheri que ele mesmo fez, combinando arroz, dhal e vegetais com especiarias e condimentos. Ao anoitecer ele banhou-se no rio. Então seu Guru sentou-se com ele no fogo sagrado, e os dois adoraram o yagya juntos. Eles cantaram mantras do Mahanirvana Tantra, Rig Veda e Chandi Path. O homa continuou até tarde da noite. Então o Guru ofereceu-lhe água e doces, e abençoando-lhe disse: Deste dia em diante você é Swami Satyananda Saraswati. Swa significa da própria pessoa, Ami significa Eu sou. Swami significa “Eu sou meu mesmo” Isso significa que você é seu próprio mestre, qualificado para ensinar. Há duas iniciações que um Swami deve tomar. A primeira é de seu mestre, a qual eu estou dando agora a você. Sua próxima iniciação será dada a você por seus discípulos. Uma coisa é eu dizer que você é qualificado para ensinar, outra é seus discípulos disserem que você tem algo que eles querem aprender.”

Foi um importante passo para Swamiji. Mesmo tendo recebido a autoridade superior para ensinar na linhagem de seu mestre, Swamiji ainda não podia imaginar que ele de fato tornou-se um mestre. Ele sempre pensava em si como um eterno estudante, um discípulo, e não desejava nada mais que estudar e praticar continuamente. Agora seu Guru lhe dizia que ele não permaneceria mais como discípulo. Ele era um Swami. Isto teve um impacto sobre Swamiji. Ele não podia impedir, mais sentia um maior comprometimento com sua disciplina. Agora não era somente sua prática. Era sua vida.

 

O MAHA SAMADHI DE AMRITANANDA

Rshi Amritananda faleceu em 1976, após completar um yagya de mil dias. Ele sentou-se em seu asana diante de um grupo de discípulos que tinham ficado perto dele. Swamiji estava lá também. Antes de deixar seu corpo, Guruji falou-me que Swamiji era agora um verdadeiro Mestre. “Sushil”, disse ele, “Swamiji irá preencher meu asana. Ele irá ser um Mestre de todo conhecimento espiritual e transmitirá esse conhecimento para outras pessoas. Fique com ele se possível. Você será feliz. Ele viajará por todo o mundo e espalhará a bondade. Ele tomará meu karma e irá fazer seu dever. Ele fará este trabalho por cinqüenta ou sessenta anos. “Ele viajará o mundo e realizará yagyas para a paz. Ele irá dar luz e sabedoria, e muitas pessoas virão a ele. Na velhice seu trabalho estará terminado e somente então ele deixará seu corpo terreno. Estas são minhas palavras finais a você.”

O Rshi Amritananda deu suas palavras finais e ainda sentado em sua postura de yogue ele deixou o corpo. Swamiji realizou os últimos rituais e a própria cremação. Ele acendeu o fogo do yagya embaixo do corpo do Guru e recitou todo o Chandi , oferecendo oblações ao fogo. Nunca houve tão grande respeito mostrado por um discípulo na passagem de seu Mestre. Swamiji é agora dono de si próprio. Este foi o início de outra fase de sua memorável jornada.

 

SADHANA
    Enquanto Swamiji vivia em Bakreswar, seu hábito diário era sentar-se nas águas quentes de uma fonte que tinha a forma de uma boca de elefante. A água era tão quente que a maioria das pessoas somente salpicava um pouco de água ou sentava-se por pouco tempo. Era um lugar popular para turistas de Calcutá testarem sua resistência e mostrarem a seus amigos que eles podiam aspergir a água quente da boca do elefante sobre seus copos. A maioria das pessoas que iam lá faziam muito barulho.

Swamiji costumava se sentar na fonte por três horas toda manhã e recitar todo o Chandi Path na água mais quente. Então ele se levantava e realizava exercícios de hatha yoga no deque, novamente se banhava nas águas quentes e então ia visitar todos os templos em Bakreswar e oferecer puja. Seu sadhana em Bakreswar continuou deste modo por todo o ano. Suportou toda a estação de chuva e continuou incessantemente o ritmo de sua disciplina espiritual. Da mesma forma eu soube que enquanto ele vivia em Rishikesh, ele costumava ficar imerso nas águas geladas do Ganga e recitar o Chandi Path por três horas. De fato, uma manhã de inverno era tão fria que teve uma vez que ele terminou sua recitação, não podia sentir seus membros. Alguns sadhus viram sua dificuldade e correram para as águas geladas para resgatá-lo e ajudá-lo a sair do rio.

Em tudo o que eu tenho observado, Swamiji não temia nem o calor nem o frio. Ele era sempre o mesmo e era consistente e seu sadhana. Uma noite quando Swamiji estava retornando do solo de cremação, e ficou doente com uma alta febre e vômitos. Pachu, um devoto de nossa aldeia, e eu estávamos com ele nessa época. Nós falamos com Swamiji para que fosse a um médico mais próximo na outra aldeia, e ele respondeu: “Não vou . Eu vou ficar bom.” De qualquer modo Pachu e eu fomos até a casa do doutor. Era duas d manhã. O doutor ficou surpreso quando nós o despertamos naquela hora. “Swamiji?” disse ele, “é um grande sadhu. Ele irá se curar com sua meditação Realmente foi ele quem os enviou aqui ou vocês vieram por conta própria?” Preocupados com nosso amado Swamiji, nós insistimos e novamente pedimos, “Por favor, dê-nos algum medicamento. Ele parece muito doente”. Assim o doutor concordou e nos deu um medicamento para Swamiji.

Quando retornamos uma hora depois, vimos Swamiji sentado contentemente em sua asana de meditação. Ele abriu os olhos e ficou feliz em nos ver. “Por favor, façam alguma comida”. Ele pediu. Nós fizemos a comida e ele contente comeu seu jantar.

Esta é uma característica da meditação. Adeptos do mais elevado estado de meditação têm obtido domínio sobre seus corpos e podem curar-se com o poder de seu sadhana. Tais seres santificados, fazem esse tipo de coisa para manifestar e trabalhar com energias divinas.

Enquanto ouvia esta história, Shree Maa comentou: “Ele estava num estado elevado. Ele poderia fazer e desfazer tudo nesse mundo.”

 

CURANDO A FILHA DE PACHU

A filha de Pachu estava muito doente . Ela não comia ou dormia. Havia um mal cheiro vindo de seu corpo. Todos diziam que ela morreria. A esposa de Pachu veio até Swamiji e disse: “Todos os médicos têm feito o que podem, mas eles não podem ajuda-la. Eles já perderam a esperança. Você pode ajudá-la?”

Swamiji respondeu, “Eu irei lhe dar outro médico. Enviarei sua filha  até Maa Shakti, a Divina Mãe. Se Ela falar que sua filha morrerá, ela irá morrer. Se Maa disser que ela viverá, ela irá viver.” Swamiji realizou um yagya e colocou cinzas do yagya primeiro sobre a cabeça e os pés da filha de Pachu, e depois sobre todo seu corpo, enquanto cantava mantras para a saúde. Ela imediatamente se acalmou. Swamiji deu a instrução: “Eu virei aqui todos os dias por nove dias e aplicarei estas cinzas no corpo a criança. Ela ficará boa. Agora pare de se preocupar e transforme esta sua energia em prece. A oração tem mais efeito que a preocupação. Qualquer que seja a vontade Divina, assim será. Podemos influenciar a vontade Divina mais com orações que com preocupações.”

A Mãe da criança chorou, “Mas Swamiji, ela está morrendo.” Swamiji lhe falou mais uma vez que a menina ficaria boa e saiu. E a filha de Pachu melhorava cada dia mais e ficou completamente curada.

Quando eu a vi poucos anos depois, ela estava muito bela. Atualmente ela tem uma filha e um filho.

 

CURANDO HEM, UM LEPROSO

Kandu tinha um filho cujo nome era Hem. Kandu era um fazendeiro, um bom homem e devoto de Swamiji .Era um homem simples e humilde que ajudava seus vizinhos o quanto podia. Certa vez ele começou a visitar um homem que pretendia ser um Swami. Este falso swami tinha um cachorro e uma raposa. O falso swami mandou Kandu alimentar a raposa todo dia. Quando nosso Swamiji soube disso, ele falou para Kandu não tocar na raposa, mas Kandu não o ouviu. Um dia a raposa mordeu Kandu ficou acamado com febre. Ele ficou muito mal e morreu. Depois, embora Swamiji tivesse avisado ao filho de Kandu para não ir, ele também começou a visitar este falso swami. Hem ficou com lepra. Por alguns meses ele deixou de visitar Swamiji. Assim, um dia Swamiji perguntou-nos porque ele não vinha mais. Nós lhe contamos que Hem tinha contraído lepra, transformando-se num intocável, e estava separado da sociedade. Ninguém nem mesmo comia os frutos e vegetais produzidos por suas terras. Quando Swamiji soube, foi imediatamente à casa de Hem visitá-lo. Swamiji entrou na casa e viu Hem deitado na cama. Swamiji pegou-o em seus braços e abraçou-o e começou a cantar e dançar. Todos estava atônitos. “Ele está sofrendo a doença dos devas, devarog” disseram eles.

Mas Swamiji segurou as mãos de Hem e disse, ” Eu falei para você não ir lá. Agora seus dedos têm lepra. Depois Swamiji cantou, envolveu as mãos de Hem com folhas e instruiu seus parentes a continuarem este tratamento. Todo dia as mãos de Hem eram envolvidas com folhas, e sua lepra se foi.

Swamiji então nos explicou: A intocabilidade é uma doença. Nós devemos odiar a doença, não a pessoa que está doente. Todos os seres humanos são nossa família.”

 

INSPIRANDO O CASAMENTO IDEAL

Havia um sacerdote em nosso templo que vivia brigando com sua esposa. Todo dia ele chegava no templo irritado, e ele sempre se queixava de sua esposa. Um dia Swamiji estava caminhando perto da casa da família e o sacerdote convidou-o para entrar e tomar uma xícara de chá. O sacerdote perguntou:” Por que você não vem estudar Sanskrito com os sacerdotes dentro do templo?”

Swamiji respondeu, ” Eu penso que as pessoas que praticam Sanscrito deveriam compartilhar alegria e inspiração quando se comunicam, e deveriam desejar viver em harmonia com sua prática espiritual. De fato tudo o que eu aprendi no Sânscrito sobre os votos de casamento é que o casamento é uma solene promessa de ser uma recordação constante para seu parceiro de sua divindade. Isto é, a única razão para o casamento, de acordo com o dharma, é ser uma inspiração constante da expressão divina para o nosso parceiro. É isso que os mantras da cerimônia de casamento dizem.” Ouvindo isso, o sacerdote se curvou à Swamiji e nunca se queixou novamente de sua esposa. Mesmo os vizinhos me disseram que nunca mais ouviram discussão deles após a visita de Swamiji.

 

LEVANDO PAZ AOS MORTOS

No início dos anos 70, o Movimento Naxalite se expandiu por todo o nordeste da índia. Muitos homens perderam suas vidas devido a agitação política deste movimento. Enquanto estava numa região da Índia tomada por tal movimento, um dia Swamiji aproximou-se de um esqueleto. Só restavam os ossos. Durante a noite ele freqüentemente tinha a visão de um homem pendurado em uma árvore sem sangue ou pele. Isso aconteceu várias vezes e ele veio a entender que o homem tinha morrido em violentas circunstâncias e de modo inapropriado.

Após ter essa visão repetidamente, Swamiji veio a entender que a alma do homem tinha se tornado um fantasma. Assim ele foi procurar os parentes do homem. Quando os encontrou, ele ouviu que a família estava passando por muitos problemas desde a morte do homem. Ele então lhe falou de suas visões e os instruiu a ir até Gaya oferecer uma cerimônia em memória do falecido e oferecer flores aos pés do Senhor Vishnu. Gaya é o mais importante centro para se honrar os mortos e a deidade que preside é o Senhor Vishnu. Mesmo Rama e Lakshmana forma a Gaya oferecerem preces para a paz da alma de seu pai. Quando a família realizou a cerimônia para o falecido conforme a instrução de Swamiji, todos os problemas da família desapareceram. E assim o fantasma se libertou.

 

O ENCANTADOR DE SERPENTE

Swamiji costumava banhar-se nas águas quentes de nossas aldeia de manhã cedo. Ele cantava o Chandi e meditava sentado na água quente, Um manhã, enquanto deitado lá, uma grande cobra veio e sentou-se em seu peito. Swamiji olhou a cobra que estava enrolada, com seu cabelo aberto, e olhava diretamente nos olhos de Swamiji, estava somente a umas poucas polegadas de distância de sua face. Os dois se olharam e Swamiji nem sequer piscava. Eu estudei a condição de Swamiji quando Pachu veio correndo ao quintal de minha casa gritando:” Sushil Babu, Sushil Babu! Por certo Swamiji vai morrer hoje!” Eu levantei e corri até ao quintal. “Sobre o que você está falando?”

Pachu estava sem fôlego, mas se conteve e repetiu, ” Uma cobra está sentada sobre o peito de Swamiji, eles estão nas águas quentes.”

Eu agarrei meu xale e o enrolei ao redor do meu corpo e corri para fora. Quando cheguei às águas quentes estava amanhecendo e metade da aldeia estava de pé na beira da água olhando Swamiji, que estava olhando fixamente para a cobra. ” Certamente o Sahib Sadhu hoje irá morrer” diziam eles em tom fatídico. Eu fiquei apavorado e realmente preocupado com a segurança de Swamiji. Comecei a afligir-me pela perda de meu amado Guru. Já faziam cerca de três horas que Swamiji e a cobra estavam se observando mutuamente, olhando-se profundamente nos olhos e todos estavam esperando o bote que traria a inevitável sentença. Swamiji estava calmamente repetindo o mantra, OM NAMH SHIVAYA, repetidas vezes para apaziguar a cobra, porque Shiva é o Senhor da serpentes, mas a cobra continuava a olhar em seus olhos.

Ninguém imaginava nada que pudesse salvá-lo. Tínhamos medo de tentar espantar a cobra com medo de ele ser mordido, e nenhuma boa opção veio á nossa mente. De repente a cobra fechou seu capelo , abaixou sua cabeça e saiu. Swamiji estava salvo! Ele tinha controlado a cobra, e por render-se a vontade de Shiva cantando seu mantra, ele tinha evitado o desastre. O sadhana de Swamiji tem tal poder que ele sabia que estava sendo testado, e suportou o desafio. Quando estava face a face com a morte iminente, seus pensamentos ficaram absorvidos em Deus, e isso lhe trouxe a quietude que o salvou do perigo. Todos gritaram de júbilo e após ajudá-lo a sair da água quente, eles se prostraram para tocar seus pés.

 

VESTIDO EM ESPAÇO

Um dos discípulos de Swamiji, Pachu, trabalhava nos solos de cremação. O trabalho de Pachu era cremar corpos mortos. Como parte de seu trabalho ele colhia o óleo que saia das narinas dos defuntos queimados e suas cinzas. Quando ele tinha tempo livre de seu trabalho, ele ia até Swamiji e lhe dava um óleo de massagem com o óleo que ele tinha coletado da cremação. Assim, quando Swamiji tinha dor nas juntas, ele chamava Pachu.

Um dia durante o inverno, Swamiji estava digambar, literalmente, “vestido em espaço”. Sua única roupa era um pano no quadril e cinzas. Isso é conhecido como sadhana de digambar. Muitos homens vieram das aldeias vizinhas ver Swamiji. Ele parecia o próprio Shiva, sentado em meditação. Tendo um sadhu realizado tal grande tapasya para as pessoas da vila isso é considerado uma grande benção Foi esse o jeito que Swamiji escolheu para abençoar as pessoas daquela área e isso as fez muito feliz. Por realizar essa prática Swamiji demonstrou que este corpo com o qual gastamos toda a nossa vida nos preocupando, é impermanente, e somente o invisível atma, ou alma eterna é real. O ego, eu individual é somente um pacote de ligações para as transitórias ilusões da vida. Por esfregar óleo e cinzas dos corpos cremados em seu próprio corpo, ele mostrou que a verdadeira iluminação espiritual não é ligada ao corpo físico. Ele estava livre de todas as ligações. Ele não desejava nada, apenas servir a humanidade e cantar para Deus. Assim eu olho e reflito sobre suas ações e trabalho, e acredito que ele ainda deseja a mesma coisa.

 

DEFENDENDO OS INTOCÁVEIS

Um dia um Policial veio ver Swamiji e estava o elogiando e falando quão grande homem ele era. Pachu veio se sentar com eles. O policial perguntou a Pachu qual era o seu nome. Pachu respondeu, “Pachu Dom”. O policial imediatamente levantou-se e disse-lhe: ” Dom significa que você trabalha nos solos de cremação. Você é um intocável. O que você está fazendo desonrando o Ashrama de Swamiji? Eu me recuso a falar com você!”

Swamiji ficou muito zangado e exclamou em alta voz para o policial: ‘Pachu é nosso irmão! Todos os homens que trabalham nos solos de cremação fazem um serviço puro e ganham seu sustento honestamente. Quando nós morremos eles preparam nosso corpo para ser recebido no céu. Por que são intocáveis? Se ele tomar banho após seu trabalho, ele estará limpo! Como é que você louva o Guru e menospreza seus discípulos? Eu não preciso de tal louvor!”

 

O SADHU “BÊBADO”

Houve um tempo em que Swamiji ficou em uma choupana perto do solo de cremação e meditou após a meia noite perto das piras funerárias. Um dia quando voltava dos solos de cremação um grupo de visitantes de Calcutá começou a fazer piada sobre aquele homem branco, que não podia andar com equilíbrio. Eles disseram que ele estava parecendo bêbado. Então começaram a gritar que este forasteiro tinha vindo destruir nossa religião, e disseram que ele iria ensinar nossas crianças a beberem e usar tóxicos. Enquanto isso eles foram em direção de Swamiji gritando, “Batam neste homem!”

Swamiji continuou quieto em seu caminho. Pachu estava caminhando ao lado dele. Ele amava muito Swamiji. Ao ouvir o que eles falavam, Pachu me chamou. Eu imediatamente vim com alguns de meus amigos. ” O que faz com que vocês causem tal comoção em nossa vila? “Perguntamos aos visitantes de Calcutá. “Vocês é que estão destruindo nossa religião!”

Pachu pegou um grande porrete e ameaçou: “Eu irei bater neles!” Swamiji colocou sua mão na frente e o parou , impedindo-o de continuar. ” Amar todos os seres é a minha religião Por favor não lute por julgarem que estou bêbado. Quando um cachorro morde alguém, você vai morde-lo também? O amor dos seres humanos é o amor de Deus. A verdade é que eu estou bêbado com o amor de Deus, não pelo consumo de álcool. ”

Quando eles ouviram esses divinos ensinamentos de Swamiji, eles se curvaram e tocaram seus pés. “Nós íamos bater em você, mas por favor perdoe-nos, Swamiji. Agora nós sabemos que você é uma grande alma que veio nos abençoar.”

 

APAZIGUANDO FANTASMAS

Um dia Swamiji convidou-nos para ir a um Yagya, a cerimônia de fogo sagrado Era Amavasya, a noite da lua nova. Eu fui com Swamiji, acompanhado por alguns amigos. Chegamos a Tarapith as dez da manhã e coletamos madeira, arroz, ghee e flores para a cerimônia. Selecionamos um lugar no solo de cremação para nossa adoração, e Swamiji construiu o vedi yagya. Ele desenhou o yantra ou símbolo sagrado, sobre o qual o fogo ia queimar, e começamos nosso homa às sete e meia da noite.

Swamiji falou-nos que o fogo queimaria até a manhã seguinte. Nos disse que a Deusa Tara ficaria feliz com nossos esforços e que muitos fantasmas seriam libertados dos solos de cremação quando o yagya estivesse completo.

Swamiji fez um grande círculo e convidou todos nós, que éramos mais ou menos vinte pessoas, para sentarmos dentro do círculo. Ele instruiu que ninguém deveria deixar o círculo enquanto o fogo estivesse queimando. Isso era muito estranho para nós, mas não queríamos aborrecê-lo. Nós observamos que tinha uma cabra com seu cabrito do lado de fora do círculo. Mas lá havia sempre muitas cabras e assim não demos muita atenção. Cerca de três da manhã o yagya estava completo e Swamiji falou-nos: “Comam sua comida agora e durmam aqui, não saiam para fora do círculo”. Quando íamos dormir, vimos que a cabra ainda estava lá mas ainda assim não demos atenção. De manhã depois que acordamos e levantamos, Swamiji perguntou-nos como nos sentimos sobre o yagya. Falamos que tínhamos nos sentido bem.

“Não viram nada especial? Não viram uma cabra com seu filhote?” Perguntou-nos.

“Sim”, respondemos. ” Lembramos de ter visto uma cabra do lado de fora do círculo. Ela ficou de pé no mesmo lugar.

“Por que a cabra estava lá e por que eu disse a vocês para não saírem do círculo?” Perguntou Swamiji.

Falamos a ele que não sabíamos.

Ele explicou: ” A cabra era uma senhora que em sua vida passada tinha cometido suicídio e tinha matado sua criança pequena, e eles se tornaram fantasmas de cabras. Se vocês saíssem do círculo ela podia feri-los. Eu coloquei as cinzas do yagya e abençoei seus corpos, e por usar essas cinzas sobre seus corpos esses fantasmas se libertaram, foram liberados daquele karma. . Foi por esse motivo que viemos aqui para esse yagya.

” Eu falei a ela que cometer suicídio é um pecado. Como você pode destruir este corpo que é um templo de Deus? Todos devem cuidar do corpo. É devido ao corpo que você pode fazer puja e adorar a Deus.”

É assim que Swamiji nos ensina.

 

ENCONTRANDO BAMAKSHEPA

Bamakshepa era uma lenda no nordeste da Índia. Ele tinha cento e oito anos e era difícil de ser visto. Bamakshepa era devoto da Mãe Divina e andava nú a maior parte do tempo. Ele sempre estava com um cachorro preto. Antes de desaparecer ele disse que somente grandes seres seriam capazes de vê-lo. Depois ele não foi mais encontrado.

Uma manhã Swamiji decidiu encontrar Bamakshepa. Assim ele foi com uns poucos devotos até a floresta perto de Tarapith onde, pelas últimas noticias, esteve Bamakshepa vivendo. Swamiji tirou toda sua roupa e começou a caminhar pela floresta. De repente de algum lugar um cachorro negro apareceu. Swamiji nos disse: “Vocês devem ficar aqui.” e seguiu o cachorro pela floresta. Ambos desapareceram. Nada de Swamiji nem do cachorro. Após cerca de doze horas, nós repentinamente vimos o cachorro aparecer e depois Swamiji. Então o cachorro voltou para a floresta. Swamiji estava sorrindo e nos disse: “Foi tão belo! Ele disse que estava esperando por mim há anos. Ele me abençoou e ensinou muitas coisas. Estou extremamente feliz e desejo dançar!” Ele estava num estado de consciência extático e dançou por uma hora totalmente nú. Depois ele sentou-se e descansou.

Nós o levamos de volta para o Ashrama e cuidamos dele, e então gradualmente ele voltou ao seu estado normal de consciência.

 

EXAME COMO PRESENTE

 

Chegou a época de fazer meus exames finais para o grau de mestre. Swamiji estava vivendo em Bakreswar durante este período, e eu o conhecia muito bem então. Um dia eu confessei nervosamente a ele: “Eu não estou preparado para esse exame.”

Descanse sua mente e apenas faça os exames, Sushil”. aconselhou-me Swamiji. Eu tomei suas bênçãos. Despedi-me de meus pais e deixei Bakreswar indo para Burdan, onde eu deveria fazer os exames.

Eu cheguei aos meus aposentos no Chittaranjan Hotel, e encontrei todos os meus amigos estudando. Para minha consternação eu vi que tinha esquecido tudo o que eu sabia do meu assunto. Estávamos a duas noites do exame começarem e eu era incapaz de escrever uma simples palavra que dirá formar sentenças. Assim eu decidi não fazer mais os exames e fui para a cama.

Eu não posso explicar o que aconteceu  comigo naquela noite. Swamiji apareceu para mim em um sonho e disse:” Será um erro não fazer os exames. Darei a você um mantra para ajudá-lo. “E ele sussurrou o mantra em meu ouvido durante o sonho. Quando eu acordei na manhã seguinte minha mente estava num branco completo. Eu não sabia o que se daria depois. Tudo o que eu podia pensar era no mantra que eu tinha recebido na noite anterior durante meu sonho. Eu ainda estava pensando sobre o que eu deveria fazer quando soube que Swamiji tinha chegado no hotel onde eu estava hospedado. Eu estava surpreso e ansioso para vê-lo. Todos os cem estudantes que estavam lá ficaram espantados de ver um sábio forasteiro. Após ser apresentado a todos e oferecer suas bênçãos ao grupo que se formou ao redor dele, Swamiji jantou conosco na sala de jantar do hotel.

Por volta das onze da noite, ele disse que iria deixar o hotel. Isso provocou nossa curiosidade. “Mas onde você vai a esta hora da noite?” Perguntamos a ele. Sua única resposta foi: ” Burdwan 108 Shiva Mandir”. Nós nos olhamos apreensivamente. Todos nós sabíamos que este era um templo localizado numa área insegura. Foi construído pelo Maharaja de Burdwan, Rei Krishnachandra.

“Não há nada a temer.” Assegurou-nos Swamiji. ” Eu já fiquei nesse templo muitas vezes antes.” Assim depois de abençoar-nos novamente ele partiu.

O dia seguinte foi o primeiro dia do exame de mestre. Para minha surpresa, eu o fiz maravilhosamente. A noite depois do exame Swamiji veio do templo até o hotel e abençoou todos os estudantes. Ele continuou a vir todas as noites até os exames terminarem.

Com Swamiji de nosso lado não foi surpresa ver que todos fomos bem no exame. No último dia Swamiji generosamente nos trouxe o famoso doce de Burdwan. Enquanto ele distribuía o doce, abençoava o grupo: “Possa o amor e as bênçãos de Deus estarem com todos vocês.”

E eu estava certo de que eu tinha sido encantado quando soube que eu tinha passado em meus exames!

 

SADHU SAHIB TODO O MUNDO É MINHA FAMÍLIA

 

Numa manhã de outono após ter realizado uma cerimônia de Durga Puja durante nove dias no Virananda Ashram, Swamiji retornou a Bakreswar, onde ficou por alguns dias. Um dia ele virou-se para mim e sugeriu: “Por que você não fica comigo? Nós podemos viajar juntos. Você não terá dificuldade de encontrar comida e pousada se vier comigo.”

Eu, que em minha mente clamava por isso, fui para casa e falei com meus pais sobre o convite. Eles imediatamente compartilharam de meu entusiasmo. “Vá e viaje pela Índia com Swamiji, filho.” Disseram eles. ” Isso será uma aventura inesquecível.”

Eu estava tão empolgado. Eu teria a oportunidade de estar constantemente na companhia de Swamiji e tê-lo todo para mim! Eu encheria meus olhos com sua radiante presença e derramaria lágrimas de alegria e bem aventurança. Nem posso começar a descrever toda a felicidade que senti naquele tempo. Eu suportei muito sofrimento e dor em minha vida naquela época. Agora, desde que me tornei um sério discípulo de tempo integral de Swamiji, eu tenho sido capaz de apreciar a felicidade quando ela vem em meu caminho.

Na manhã seguinte Swamiji e eu deixamos Bakreswar e fomos de trem para Dubrajpur. Enquanto viajando juntos no trem, Swamiji falou-me que nosso relacionamento tinha começado muitas vidas antes. ” Hoje você está viajando comigo pela Índia” disse ele. ” Algum dia você viajará comigo pelo mundo. Lembre-se, Vasudeva Kutumbakam. O mundo é nossa família. Nós viajaremos pelo mundo como uma dança de Shiva, segurando e juntando as mãos de muitas pessoas.”

Eu ouvi estas palavras com embevecida atenção. De repente eu vi que Swamiji estava em profunda meditação. Ele não despertou daí mesmo quando chegamos a estação de Deoghar, que é muito famosa devido ao seu Templo de Shiva. Em sua meditação Swamiji parecia o próprio Shiva . Inúmeras pessoas se aglomeraram na estação e tocaram seus pés. Nossa chegada a Deogarh foi em uma ocasião auspiciosa: Era o dia de Kojagiri Lakshmi Puja. (17) Swamiji e eu caminhamos até chegarmos ao Balananda Brahmachari Ashram, uma distância de cinco ou seis quilômetros. Lá encontramos Mohananda Brahmachari(18) realizando seu puja; todo seu corpo estava coberto de jóias. Ele tinha um imenso pradeep,(19) com muitas camadas de mechas mergulhadas em ghee que queimavam produzindo grande iluminação, e ele estava fazendo um Arati que durou cerca de uma hora. Durante o Arati Swamiji parecia o próprio Deus, estava profundamente absorvido na meditação. O lugar estava cheio de gente esperando para tomar a prasada de Lakshmi. (20) Repentinamente Mohananda veio até Swamiji e abraçou-o dizendo em alta voz: “O próprio Senhor Narayana chegou no dia de Lakshmi Puja!”

Swamiji também o abraçou e eles começaram a discutir filosofia com grande energia. Mohananda levou-nos ao Ashrama e desejou fazer arranjos para que nós comêssemos algo. Swamiji recusou. Ele desejava comer no templo com os pobres e destituídos que eles estavam alimentando, assim ele sentou-se no chão e comeu com eles. Após terminar de comer, Swamiji disse “Nós ficaremos no Templo de Shiva.” Naquela noite fomos a um pequeno Templo de Shiva e Swamiji começou a meditar. Como uma criança eu coloquei minha cabeça sobre seu joelho e adormeci. Minha nova vida começou.

Após nosso banho da manhã, fomos ao Vaidyanath Shiva Templo. Na entrada encontramos no mínimo mil pessoas. Eu nunca imaginei que iríamos conseguir o darsham (21) de Vaidyanath Shiva. De repente um homem que eu supunha ser o sacerdote veio até Swamiji e levou-nos para dentro do templo. Nós nem mesmo tínhamos passado pela multidão. Quando entramos dentro do templo, agradecemos e ele desapareceu. Parecia que o próprio Vaidyanath Shiva tinha vindo nos trazer para dentro de seu templo. Após completar nosso Shiva Puja, nós fomos para fora. Ao vê-lo centenas de pessoas começaram a adorar Swamiji como a personificação do Senhor Shiva. Eles colocaram flores em seus pés e pediram suas bênçãos. Com sua pele clara e roupa branca, Swamiji parecia uma encarnação de Shiva. Eventualmente a multidão se dispersou e nós encontramos uma pequena clareira na floresta próxima, onde Swamiji meditou por quatro horas. Depois ele me pediu que eu trouxesse alguma prasada. Após comer, caminhamos até a Estação de trem em Deoghar. Eu não tinha idéia de onde nós iríamos depois, mas eu seguia Swamiji, feliz. Eu o seguiria com prazer onde quer que ele me levasse. Eu sabia no fundo do meu coração que nenhum mal poderia nos atingir.

 

LIBERANDO O FALECIDO

Continua com outras 60 páginas!!

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