A Lógica Cartesiana e a Lógica de Viver

A Lógica Cartesiana e  a Lógica de Viver

– Restaurando as bases do viver –

 

A lógica cartesiana, que nos ensinam nas escolas – e muitas vezes em casa – vê tudo em termos do que tem sido chamado de aspecto masculino do ser humano: há sempre algo a ser dito, alcançado e quantificado – e se não ocorre desta forma, nos sentimos perdidos por não sabermos o que fazer; então vem o tédio, o sofrimento, por não conseguirmos o que achamos que queremos (aquilo que a cultura social, as crenças exteriores, nos disseram que deveríamos ”ser” ou ter)!

O sofrimento é ,então, criado por pontos de referência que, essencialmente, não fazem parte de nós, de nossa história experiencial de vida! Sofremos, no fundo, por que queremos; e a sociedade só nos arrasta, com seus medos e anseios, porque temos algo a esconder: desde crianças temos nos defrontado com os saberes sociais, e nós, com nosso natural caráter científico, conhecedor\criativo, pela vida, temos perdido esta característica, paulatinamente, devido às repressões e aos ”nãos” e ou aparentes “sims” sem porquê, que nunca ou quase nunca são explicados, e que nos causam limitações e nos afirmam: assim você deve ser porque assim é! E pronto!

Nas escolas, entretanto, somos parcialmente instruídos quanto ao mundo que nos cerca; e a cultura científica que nos é passada não é verdadeiramente útil para nós!

è claro que escolheremos nossas profissões, e saber o que o mundo nos oferece torna isso mais fácil de se fazer! Entretanto, se o mundo é visto somente em termos de trabalho, e a dimensão do humano, de sua sensibilidade e liberdade em se comportar e sentir, é deixada ao ”relento”, sendo mais empurrada com a barriga do que desenvolvida\ analisada pela cultura, o que ocorre é a formação de adultos inconscientes quanto aos seus processos ou quanto aos processos da própria sociedade!

è muito fácil cristalizar crenças sociais – e isso o mundo o faz magistralmente, achando que isso é cultura, é tornar-se parte do seu meio! Eu digo que não é! Tornar-se parte do seu meio é percebê-lo como ele é e como ele se faz. Agora, se o ”cartesianismo” afirma que o mundo é assim e assado, pensando sempre por moldes de processos passados, as causas, e processos futuros, as consequências, e,no presente, dando nome as situações e não permitindo um grau maior de sensibilidade ou de auscultamento pelo que estamos presenciando, o que ocorre é uma alienação aos momentos da vida!

Toda a ”lógica” do pensamentos está sendo direcionada pelo passado, com fins a um futuro conhecido – pouco aceitando estruturas novas ou visões claras do mundo que o cerca! Após conhecer algo, dificilmente aceitara novas proposições quanto ao que o cerca! Porque? Porque o pensamento , quando se torna atrelado tão somente á lógica cartesiana, torna-nos, em graus variados, alienados de nós mesmos, de nossa perspectiva momentânea e presente (a única que pode verdadeiramente conhecer o eu do mundo a nossa volta e ”fazer-nos quem somos”**), dificultando uma adaptação verdadeira ao mundo que nos cerca, trazendo situações estereotipadas a consciência, devido a um apego irracional ao conhecido, e ao que ”deveria ser”; tudo isso constitui na sociedade uma falta de sensibilidade, um grau baixíssimo de pesquisa cientifica quanto ao seu próprio viver, quanto a capacidade natural do ser humano de entender sua própria vida e de aplicar os seus conhecimentos sabiamente\ criativamente: a vida é vista como uma cobrança, no imaginário da cultura, e não como uma contingencia, uma escolha de viver, um inebriamento pelo não dito, pela substancia da vida!

Então, você aprende a enumerar processos, dar nome ao mundo, saber o que esta acontecendo a sua volta (por moldes imaginários\ representativos),e, por isso, porque sua educação esta somente baseada nisto, você vai criando uma carapaça ante a vida, que lhe afirma sempre o que é, o que foi e o que será, você e o ”seu mundo”, que dificulta e muito o encontro e o contato de fato com o outro, com o todo da vida e com a percepção clara de si mesmo – porque tudo é feito mais por imagens que por observações! E a vida é feita de sensibilidade, de escuta, de pesquisa observadora! As imagens são, ou teriam que ser, atributos secundários, submetidos a analisa previa do mundo – utilizados utilitariamente, tão como são a sua substancia (um objeto, um artefato da mente, usado para aderir a certos modus vivends, a certas formas de lidar com aspectos estudados do real: são conhecimentos técnicos)!

Até ai tudo bem, pois, que eu saiba, a ciência não é assim, em sua pratica, tão intrusa na vida: é difícil um cientista ou um professor de ciências, alienar-se por pensar demais nos processos físicos, químicos ou biológicos à sua volta! Entretanto, o mesmo ocorrerá com os saberes comportamentais, as analises prévias do mundo, perpetuadas no dia a dia?

Para muitos, todo este papo de transpessoal, de saberes ditos racionas mas que no fundo são irracionais, pode parecer mero devaneio ou simplesmente algo distante, difícil mesmo de ser conseguido! Na realidade não é!

Vocês que ”falam ”isso, com seus mundos imaginários acostumados a tudo conhecer previamente ou a barrar uma certa característica mais introspectiva\auscultadora da realidade, porque não vivem de fato – nãoentendem o que é ser feliz, e não percebem como sua própria busca de vida, seus ensejos por realizações , e mesmo seus sofrimentos por ”desistir ‘ ou por ”não conseguir”, decorrem do fato de que vocês não tem essa característica própria do observar a vida: do tornar-se inteiro para si mesmo, real, e verdadeiramente amante de seu processo,de seu viver!

Isso é uma falta de amor próprio – que é a crise do humano: existe um cinismo quanto ao próprio sofrimento, um cinismo quanto a própria cultura, um cinismo quanto a capacidade de entender,de escutar, o mundo, que trazemos ”aqui’,dentro”, e que quer sempre brotar, para trazer maior característica de vida, e maior substancia à realidade que nos cerca!

O mundo da lógica é incerto justamente por isso: porque fomos trinados, desde tenra idade, a memorizar e a nos adaptar – e não a criar\estudar e escutar ao mundo que nos cerca. Então a reflexão, a capacidade de buscar entendimento, no humano, é muito fraca, tornou-se muito fraco!

O problema é que muitos, ouvindo isto, acham que estou falando de filosofia ou de sociologia – estes são apenas aspectos; o que trato é a essência mesma da liberdade: a capacidade constante de auscultamento, de saber viver no mundo pelo referente real, na forma como este vai se processando (ao invés de atribuir referencia\signos prontos ao mundo)!

Como uma pessoa que pretende conhecer o mundo,viver nele, pode fazê-lo por moldes puramente referenciais, que constantemente lhe assaltam a vivencia? Alguém que quer de fato conhecer tem que se tornar dono de sua própria sensibilidade, de seu próprio conhecer, com a própria perspectiva limpa de sua vida! Como conhecer o real, como conhecer algo do mundo que nos cerca, sem aderir a uma pesquisa, a uma observação antecipada?

– o que ocorre é que vocês, ao vivenciar, já vão adaptando saberes ao que veem – como se esses fossem as características do conhecer – ao invés de perceber a vida pelo que ela tem de fato, de cabalmente existente; pois o pensamento, os saberes e racionalizações são, como disse, ”artefatos’, objetos da percepção, utilizados temporariamente pela inteligência para certos procedimentos. Se tu usas uma canoa para atravessar o rio, não pode querer usa-la para escalar uma montanha ou andar 10 km! Tens que deixa-la próxima ao rio, ou guarda-la ”nos porões da memória”**! O mesmo ocorre co o saber: se você privilegiassem a adequação ao mundo, a sua percepção direta, veriam que os saberes surgiram em conformidade, e de forma muito mais dinâmica, muito mais sabia! Olhar o mundo sem adapta-o é o ideal, porque as adaptações são atributos, o olhar é a essência – aquilo que não some e que, de fato, percebe o mundo!

As características do cérebro tem sido direcionadas para esta alienação, e as perspectivas sociais tem sido criadas, formuladas, baseadas no medo quanto ao mundo e no cinismo quanto as estruturas sociais, o modus vivend das sociedades!

Seguimos padrões criados anteriormente, mas nunca paramos para pensar em suas verdadeiras funcionalidades!

Quais são elas, porque existem e porque necessito delas?

Saber de suas substancias não significa fugir do humano e de sua cultura, mas sim torna-la funcional ao extremo, com fins a sua mais real felicidade! Afinal, acultura está para o homem ou o homem para a sua cultura?

– Não o sabemos! Porque, de fato, não queremos saber! Nossas perspectivas ilusórias, do ”cartesianismo ”,ditas no primeiro parágrafo, nos alienam de tal forma, que não temos como entender a própria felicidade – o aspeto profundo de si mesmo, na perspectiva própria de viver!

De fato é muito difícil fazê-lo sozinho! Para isso existe o Budismo, o Islamismo, a Psicologia e o Cristianismo. Porque estes meios, estes saberes, quando aplicados, não propõem um simples entretenimento, baseado em características externas; mas um saber aplicável em toda a vida!

Se chegares num psicólogo comportamento e lhe fala de seus problemas, ele tentara mostrar-lhe o que de errado está existindo em seus mecanismos de percepção (nos objetos passageiros de sua mente), e te ajudará a reformula-lo com vista a maior saber – a ter menos lógicas ilógicas perante a sua vida, tornando-se mais funcional para si mesmo!

Se seguires de fato esta sabedoria, veras que podes ir longe! Mas, como é muito difícil segui-la – até porque não tens um psicólogo todo tempo a te analisar, e a observar seu comportamento, te dizendo o que nele é ou não é funcional para você – e mesmo que tivesse, você esta tão acostumado a operar no automático, que se quer o escutaria, ou , quando muito, hesitaria em aderir a uma característica nova de si mesmo, que te liberasse de um circulo vicioso de percepção: porque tens medo de se livrar de mais uma muleta!!!

Muitos não perceberam, mas, de fato: é isso que ocorre!

Você tem um psicólogo interno, que diz sensivelmente onde você esta errando e onde esta acertando – veja que o acertar está no gerúndio, evidenciando que é um processo –. Você não o escuta porque esta muito viciado nos mecanismos da percepção, ou , melhor dizendo, de acordo com a psicologia budista \oriental: estas viciado nas identificações com os objetos de sua mente, que te impedem de ver as características globais de si mesmo, as reais necessidades do teu ser; te viciam em objetos específicos e,para tanto, criam moldes imaginários, na forma que tens de lidar com eles. tudo isso é um adestramento, que padroniza a vida em usos! E , quando você alcança a plenitude de um uso, vai descobrindo que , por traz dele, havia algo melhor, uma calmaria, algo mais prazeroso e prático, e assim vai se descobrindo, aos poucos!

Os desejos de sua cultura pessoal\ coletiva vão assim se desvanecendo ante as reais perspectivas de si mesmo – te tornas mais funcional e menos apegado a formas de saber que te alienem em seu humor e em sua capacidade inteligente!

O único erro na vida, não importando quais sejam sua múltiplas facetas, é o de crer saber antes de saber de fato! Só que, para saber de fato, é necessário manter um inebriamento pelo não-saber, quer dizer, pelo observar,pelo captar sensível e atentamente – se pressa, sem devaneio!

Essa equação pode parecer até enfadonho e anti natural; mas se parares para meditar, ou para torna-la real, por um momento, verás: era tudo que você queria! E te sentiras mais inteiro, mais você, mais vivo, mais empolgado, mais sábio, do que nunca, em sua vida, foi! Porque é essa a perspectiva real de si mesmo. Este é o ato de retornar ao teu centro, a sua perspectiva global e progressivo dos processos de tua vivencia!

Se te alienas por objetos específicos da globalidade de sua vida, tornando-os contingentes a si mesmo, tornando-os necessários, donos de sua atenção e ou de sua característica sabia e progressiva em vê-los, estais, na verdade, criando ou repercutindo relações apegadas, que verdadeiramente noção existem para você, com esses ”objetos”!

O total da vida é um objeto! E especificar este objeto, em apegos e identificações, é perda de tempo! Seja uno com ela, e a felicidade te abrira as portas, bem comoa realidade, e serás plenamente funcional a ti mesmo: unindo com a percepção psicologia, interior, de ti mesmo!

 

E se você não procurar adentrar nos reinos do emocional, do real do sensível, do aspecto não passageiro do humano, tendera a ser dominado por lógicas e ilógicas do subconsciente, que barram sua adaptação à vida e o fazem, por vezes, interpretar mal a sua realidade, chegando a fazer, para ti mesmo, como na seguinte piada:

Lógica cartesiana

A esposa do português pede:
– Manuel, vá à padaria e traga 5 ovos. Se tiver pão, traga 6. 
Ele voltou com 6 ovos e disse:
– Tinha pão!

Então, você realmente sabe o que quer? Ou vai ficar interpretando tudo ”cartesianamente”, em termo de falta e coisas a fazer, ao invés de ser feliz na calmaria do constante acolhimento\regozijo pelo mundo q o cerca, restaurando, assim, as bases do real, na perspectiva própria de ser?

Ps.: a felicidade vem do silêncio de escutar, e o erro e o sofrimento veem da tentativa de sobrepor a realidade pelo prévio imaginário dos pensamentos. E a Kryia Yoga acelera isso – faz você entrar em contato com o seu descondicionamento, o ser que você é para além daquilo que é passageiramente manifestado! Isso dá uma base na vida para livrar-se do sofrimento e analisar novamente, com mais clareza, as coisas.

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer…

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração…

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar…

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor…

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier…

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar…(2x)

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr…

Textos relacionados: Ser e Coisa, e outros a vir – já prontos.

**: citar texto sobre o esquecimento ser o principal fator para a potencializarão da memória e utilização do córtex pré frontal.

Vídeos relacionados:

Cientista japonês sobre escolas que matam a criatividade

Transição planetária na visão quântica

Tedx da Luz

http://dharmalog.com/2012/03/06/quando-voce-me-pergunta-a-razao-da-vida-nessa-planeta-o-que-fazemos-e-porque-ha-tanto-caos-robert-happe-video/

Leituras recomendadas:

Livros: a arte da atenção, teias, o erro de descartes, a arte da meditação (Daniel Goleman), inteligência emocional (Daniel Goleman).

Sites:  http://www.nossoespaco.ipt.com.pt/central/ene/x8yv246w.htm

http://serbal.pntic.mec.es/~cmunoz11/freitas47.pdf

http://www2.cjf.jus.br/ojs2/index.php/cej/article/viewFile/1100/1286

http://davduarte.tumblr.com/post/12438755901/a-beleza-confunde-os-sentidos-e-a-logica

http://revistapandora.sites.uol.com.br/modernidade/gabriela.htm

Filme relacionado:

http://pipocamoderna.com.br/experimentalismo-de-ex-isto-leva-a-logica-cartesiana-ao-delirio/102518

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2 pensamentos sobre “A Lógica Cartesiana e a Lógica de Viver

  1. Afastada a lógica cartesiana do Cristianismo, considerando-se que a evolução, o caos, destino, natureza, vida, só felicidade sem sofrimento, Buda, yoga, etc, é muito pouco pra nossa inteligência, vamos nos deparar com Deus.

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