O Sonho Consciente e o Esquecimento de Si Mesmo

Categoria: filosófico.

O Sonho Consciente e o Esquecimento de Si Mesmo

Viviane Mosé afirma que negar a si mesmo é a melhor coisa que o homem pode fazer por si! Concordo com ela: temos miríades de desejos e pensamentos que não podem ser conciliados numa atmosfera comum, no que estamos vivendo. A saída para isso é negar esses impulsos e escolher o que mais nos garantirão uma condição feliz e duradoura. Isso é frear impulsos e inquietudes em nome da paz e do contentamento próprio.
No Yoga temos que é importantíssimo negar o seu eu, no sentido de descobrir que todos àqueles pensamentos não carregavam de fato suas vontades. Por conseguinte , a proposta é, definitivamente, negar, a todo o momento o Eu –  aquele que busca se determinar através do por- se em relação a algo*(um desejo, uma meta, um anseio ou uma identificação) – , para então descobrir , em si, a atmosfera perceptiva da realidade!
A proposta disso não é a cientificidade e o conhecimento real das coisas – estes são ‘metas’ humanas! A proposta mesmo é o inebriamento pela realidade tornar-se comum a todos os aspectos da vivência, pela compreensão de quem você é e de como você não está em relação com o mundo – o mundo está em relação a você!
Viva isso e será feliz.
A busca entretanto, também não pode ser pela felicidade – esta é algo no qual você se firma e constrói aos poucos, conforme se vive. A busca só se concretiza em sua plenitude e crescimentos contínuos, inebriantes, quando se torna toda abrangente: de negação do que lhe parece e aceitação do que vives!
Tudo é questão de fluxo. Conforme vai adentrando nos fluxos da criação e dos momentos de sua vida, começando a negar ao si mesmo conhecido, que se determina, você passa a se sentir mais potencializado, e a consciência vai adentrando em estados de ser, de consciência, que trazem um frescor – tal qual um banho intenso de água natural,de uma cascata, após uma temporada no inquietante vulcão de erupções emotivas incontroláveis e processos enganosos de pensamentos!
Tudo é uma questão de atribuir significados ao mundo – utilizando-se dos moldes dos significandos da experiência mental,e , consequentemente, tomando parte da história das identificações do ser – ou buscando viver a atmosfera do real pelo que ela têm de significância natural , que aflui holisticamente pelos processos da percepção,e assim tornando o mundo não só mais real, mas, sobretudo, mais vívido!
Te sentes ,então, desperto e cabalmente vivo! Como se tivesses acordado de um sonho ruim, realidades mais próprias e, não digo mais concretas – isso é necessidade de quem não vive, não entende, a concretude – , mas, mais tangíveis, sentidas e coloridas, nitidamente presentes!
Antes vivias como num sonho negro, ou mesmo coloridinho, mas onde não se percebia direito as nuances do mundo: perdia-se o contexto próprio devido à alienação por significados sem significância real, sem nem mesmo uma razão conhecida!Isso, de certa forma, pode até parecer algo já feito pelo pensamento: e pode até ser. A questão que diferencia os dois processos, o racional e o transracional, é que o primeiro atribui descontroladamente, simplesmente por atribuir, na tentativa de controlar o mundo e obter uma segurança , uma maestria imaginária sobre ele, fugindo assim para uma espécie de sonho consciente. Já o segundo busca entreter-se no mundo pela aceitação do que lhe é cabalmente real, renunciando às interpretações subjetivas, entendendo, então, que a subjetividade é muito mais, e muito melhor, do que simples interpretações, mas sim algo concretamente sensível e energicamente amante do processo do viver.
Amando este processo, esta inteligência transracional não necessita atribuir significados próprios: ela vive o contexto real, a significância perceptiva do referencial*¹! Não há o que temer quando a parte real da vida a qual nos pertence é aceita e integrada!
Antes, o  eu que  produzia sofrimento era justamente essa separação criada ao tomar parte de determinados aspectos da vivencia,e o pior: crer-se um aspecto separado e intricadamente condicionado à vícios de percepção, que contrariam  a vivencia e o processo vivencial da vontade potencial do ser, por causa de imagens e pensamentos identificadores. Essas identificações imagéticas impedem a fluidez inteligente rumo à abrangência e à profundidade: porque determinam a realidade – isto é, já sei, sei disso – e, mitologicamente, desobrigam a inteligência de fluir e exercitar-se criativa e perceptivamente!
Tudo isso produz um encarceramento pessoal, com máscaras de contextual , que produz sofrimentos, angustias, decepções e , principalmente, um estado de loucura por normalidade e padrões comuns.  O estudo do ser nos leva a perceber isso.
Não adianta, entretanto, se esforçar por estudar ou compor testes subjetivos e científicos para entender os processos da mente humana: isto é só o primeiro passo da cadeia (quando ainda estamos iludidos pelo chamado “sonho de vigília”). O próximo passo é o processo de acordar: processo porque ainda estamos amando nossa ilusão de eu, meu e a identificação passional elaborada, interpretativa, com aspectos da realidade. Então esse processo começa com a abstração de retratos emocionais e discordâncias intelectuais, críticas, quanto ao que está sendo vivido (depois vou me referir ao campo da doação e da política, diferenciando-os). Até que despertemos, isso pode levar um bom tempo.
A humanidade em geral está nessa fase, de impressionar-se pelas impressões e criar retratos conceituais/imagéticos para definir o vivido – parece-lhes que suas inteligências não podem ir além disso. Quando adultos isso parece até inexistente: é porque já se tornaram autômatos. Somos todos um tanto autômatos – isso é natural!
Esse processo anti-processo, e pró-fixedez, é feito de vento – mas ventos que são constantemente criados e mantidos dentro da consciência. O meio, então, de contê-los, de conter definitivamente esta ilusão (e não somente utilitariamente, temporariamente e satisfatoriamente em certos aspectos, como é costume realizar nas terapias modernas e mesmo no homem comum) é interromper este processo; negar a si mesmo com vistas a um salvamento de um lago de incompreensões  sufocantes e de águas paradas. È sair do lago e parar de se contentar com leves suspiros na superfície ou respirações longas e entrecortadas na mesma! Vá para a terra e lá encontre o seu mundo real, aquele que cabalmente te pertence. Vá lá,respire, aceite-o,e ,sobretudo, esqueça o passado do mar de interpretações, para então vivê-lo a plenos pulmões! Ares que se criam e se renovam, num jogo de emoções divinais!
Parece até algo estranho e idealizado – mas não é! È, pelo contrario, a felicidade do contentamento, ‘consigo’ e ‘ com o ‘mundo’ – se é que esta separação pode existir – , devido à perda de referências e referênciais, que antes não te deixavam livre para ser, para desenvolver acurada e progressivamente a inteligência!
Este é o inebriamento criativo. Porem, todo aquele que se recusar a ver, por achar que ‘’vê’’, não entrara na glória do mundo, e poderá continuar “cunhando moedas com o ouro das palavras”, até que crie coragem e enfrente ‘’Mustafá – a glória do mundo”, onde  “ao contemplá-lo, a língua se partirá em mil pedaços e se converterá em feliz mendicante pela embriaguez do Seu nome”*!

Ps.: Leiam o livro de Viviane Mosé, que explica tudo de forma mais fácil,pedagógica mesmo, se possível assistam à entrevista dela ao canal Brasil – canal 2 no DF – ( http://www.youtube.com/watch?v=0Ju0GlPGAlU  )e, sobretudo, pesquisem sobre meditação , e meditem, atendo-se ao ‘método’.

     Jannetti e Ronien Massaruken!

Nota do Md:

*Citação da faixa numero x do Cd “Poemas Místicos do oriente”, na Vox de Letícia Sabatella e musicalização de Marcus Vianna.
*¹: Referencial é diferente de referente. Referencial é a representação,em pensamentos, memórias, ou palavras, de um referente – o objeto real e sensível do qual se trata. E a vida no mundo representativo puro e simples leva à alienação: quanto mais nele, mais alienado estamos do contexto real de nossa existência. Por isso que o budismo propõe a percepção direta das coisas, como mecanismo básico para extinguir a ilusão humana.
No livro A ARTE DA MEDITAÇÃO, do psicólogo Daniel Goleman, é tratado do tema, onde, na página 17 e 18, alem de testes científicos e muitas outras coisas, ele identifica a principal diferença entre a psicologia oriental e a psicologia ocidental:
“Terapeutas convencionais admitem como pressupostos os mecanismos
básicos do processo mental, enquanto procuram alterá-los para o nível dos
padrões condicionados socialmente. Os sistemas asiáticos desconsideram esses
mesmos padrões condicionados socialmente e buscam o controle e auto-ajuste
dos próprios mecanismos básicos.
As terapias rompem o controle do passado que condiciona o
comportamento no presente. A meditação pretende alterar o próprio processo de
condicionamento, para que ele não seja mais o principal determinante dos atos
futuros.
A tomada de consciência é o agente que transporta as mensagens que
formam a experiência. As psicoterapias se preocupam com essas mensagens e
seus significados. A meditação, em vez disso, dirige-se à natureza do agente: a
própria tomada de consciência. Essas duas abordagens não são mutuamente
excludentes, ao contrário, são complementares. A terapia do futuro deve
integrar técnicas de ambas as abordagens, possivelmente produzindo uma
transformação no todo da pessoa, mais completa e potente do que cada uma
separadamente”.

O que é semelhante a Chico Xavier quando propõe a Sabedoria Superior e a Inferior, no seguinte poema (ou a Sócrates, com o Só Sei Que Nada Sei):
A ALMA DO MUNDO

Quando você conseguir superar problemas graves não se detenha na lembrança dos momentos difíceis, mas na alegria de haver atravessado mais essa prova em sua vida.

Quando sair de um longo tratamento de saúde, não pense no sofrimento que foi necessário enfrentar, mas na benção de Deus que permitiu a cura.

Leve na sua memória, para o resto da vida, as coisas boas que surgiram nas dificuldades. Elas serão uma prova de sua capacidade e lhe darão confiança diante de qualquer obstáculo.

Uns queriam um emprego melhor; outros, só um emprego.
Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição.
Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver.
Uns queriam pais mais esclarecidos; outros, ter pais.

Uns queriam ter olhos claros; outros, enxergar.
Uns queriam ter voz bonita; outros, falar.
Uns queriam silêncio; outros, ouvir.
Uns queriam sapato novo; outros, ter pés.

Uns queriam um carro; outros, andar.
Uns queriam o supérfluo; outros, apenas o necessário.
Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior.

A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe e a superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe.
Tenha a sabedoria superior. Seja um eterno aprendiz na escola da vida.

A sabedoria superior tolera, a inferior julga;
a superior alivia, a inferior culpa;
a superior perdoa, a inferior condena.
Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!
Chico Xavier

Ou à Nietzsche : “Aprender a ver ,habituar os olhos à calma, à paciência, ao deixar que as coisas se aproximem de nós; aprender a adiar o juízo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. Este é o primeiro ensino preliminar para o espírito: não reagir imediatamente a um estímulo, mas sim controlar os instintos que põem obstáculos, que isolam. ” Friedrich Nietzsche

Tudo isto trata de afirmar sua inocência, de ceder espaço a realidade, mostrando-se como um não sábio, alguém que deve sempre aprender. No fundo, este é também o ideal do amor e do serviço desinteressado – desapegar-se dos usos e reconhecer o coração que brilha ante a própria contextura da vida, quando não mais envolto nos padrões de convivo com o mundo e os saberes que se fazem intrusos no viver quando carregam ideologias que negam os momentos!  Bem disse Allan Kardec quando interpelado sobre quando a humanidade seria feliz: quando ela não for mais padronizada , respondeu ele; ou seja: quando aceitarmos as diferenças e deixarmos de criar padrões para a realidade, permanecendo, assim, em um contínuo diálogo com o mundo, e, portanto, apreendendo mais rapidamente a sabedoria da escola do universo!
Abrir os olhos só é realmente possível quando nos desapegamos, ou seja, relativizamos o mundo material a nossa volta e o mundo racional dentro de nós, o que gera a união com a esfera perceptiva da vida, no chamado coração (aquela sabedoria que não julga antes de ver, e que, quando bem limpa, clara, libera seus mecanismos passionais, suas energias de forma continua e imparcial, indistinta (incondicionada a objetos específicos, a usos padronizados))…
Todos falam que o tudo no mundo é relativo, entretanto, quem realmente vive isso?
Só relativizaremos de fato quando compreendermos quem somos e assim possamos acompanhar os processos da vida, sem simbólicos apegos às impressões e situações! Algo que é explicitado no texto de Janneti sobre a MEDIUCRIDADE HUMANA E A VERDADE DE SI MESMO, e um dos que se chama O AMOR e trata deste como sendo o Sentimento de Eternidade!

http://www.youtube.com/watch?v=wUSOXs4OsQ8&NR=1&feature=fvwp

Postagens Realcionadas: Caridade: a Benção de Ser Você Mesmo, O Ser e a Coisa,Desenvolvimento Espiritual, From Joy i Came To jy I Live : https://aprendizdemensageiro.wordpress.com/2012/05/11/joyeverwere/

 

RECOMENDO:

http://dharmalog.com/2012/02/10/isso-foi-o-que-entendeu-muito-bem-aquele-profundo-siologo-buda-nietzsche-sobre-o-ressentimento/

Vídeos realcionados:

Ótimos poemas:
http://www.sertaodoperi.com.br/poesiasufi/poesia/rumi_colet.htm

De forma bem simples Horacio Faizão explica questões profundas a respeito da consciencia e da mente humana, as quais foram e são  constantemente intuidas pelos mais variados mecanismos de análise e de critica social – deixando claro que, no fundo, sempre estivemos a buscar um certo mecanismo de percepção mais pura, mais coerente, da realidade; e toda crítica, por menos que pareça, está centrada na falta da completude advinda deste mecanismo natural do ser humano (que se manifesta mais plenamente de acordo com o grau de alegria, contentamento e percepção/sabedoria manifestados)…..  No site cogytus, exisem textos a respeito das FREQUENCIAS CEREBRAIS DO CEREBRO, aS MUDANÇAS QUIMICAS e etc – na guia NEUROCIENCIAs – ,e outros tanto modos de auferir esta consciencia tão primordial e ao mesmo tempo tão pródiga,elevada!

Pequena entrevista esclarecedora a respeito das noções da conciencia na visão das perspectivas quanticas, psicologicas e comtemplativas:

http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=21521

Artigo basico sobre a logica do exisitr e a secundaria logica cartesiana.
http://www.cognytus.com.br/f_vida_art1.asp

“Nosso CALABOUÇO DA ESCURIDÃO reside em nossos MAIS ÍNTIMOS ATOS, PENSAMENTOS e ATITUDES.
Prendemo-nos nos grilhões de nossa PRÓPRIA CRIAÇÃO MENTAL, e fazemos o mesmo com aqueles que amamos.
A MENTE APEGADA a fatos, acontecimentos e pessoas É INCAPAZ DE PERCEBER A SUA ESSÊNCIA. Aquele que está ‘AGARRADO AO EGO’ está VAZIO DO “SAGRADO”;

(Trecho livro: “Os prazeres da alma – uma reflexão sobre os potenciais humanos”)

Desejo que vocêNão tenha medo da vida, tenha medo de não vivê-la.
Não há céu sem tempestades, nem caminhos sem acidentes.
Só é digno do pódio quem usa as derrotas para alcançá-lo.
Só é digno da sabedoria quem usa as lágrimas para irrigá-la.
Os frágeis usam a força; os fortes, a inteligência.
Seja um sonhador, mas una seus sonhos com disciplina,
Pois sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas.
Seja um debatedor de idéias. Lute pelo que você ama.Augusto Cury

Os Campos Morfogenéticos

http://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Bergson

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Um pensamento sobre “O Sonho Consciente e o Esquecimento de Si Mesmo

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