A “Busca” …

A “Busca”

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Antes de realizar este texto estive pensando, como todos os dias o faço, em formas de fazer o mundo, as pessoas, entenderem um pouco de minha filosofia de vida. Acabo sempre chegando às bases filosóficas de meu pensamento. Convenço pela filosofia na impossibilidade de convencer pela prática constante de minha “busca”!

Pois bem, minha vida, como todos sabem, iniciou-se a há 20 e poucos anos atrás, saindo de minha mãe…Nesse meio tempo passei por coisas comuns a todos: dificuldades na adaptação de exigências internas e externas, dúvidas e angústias nas realizações culturais junto a outras pessoas – tudo muito normal; devo também ressaltar a alegria de viver a vida, a pose altiva de poder entreter e ser entretido no convívio com o mundo, as habilidades pessoais, os regozijos com o outro, que sempre me acompanharam de quando em quando…

Hoje, tenho certa tendência em ver o pior lado da história, porque para entender as possibilidades, o avanço e a evolução, a “busca”, é necessário, quase sempre, pro ser humano comum, iniciar pela compreensão das “impossibilidades”, dos defeitos e das aparências que regem a mente humana… Tudo isso vem de um profundo intelectualizar. Tão somente isso. Se assim não fosse, se fosse um conhecimento vivencial, este “saber” que “construo” ,quando a “busca” se torna mais intensa, seria muito mais constante e proveniente de uma clareza perceptiva predominante no convívio com a entidade grupal eu – outro!

Entretanto, cá estou tentando passar a minha história – e até onde chegamos? – Lugar nenhum!

Este é um grande paradoxo. Quem conhece a famosa frase “buscai e acharás”, não se veria por satisfeito se eu interrompesse aqui a “minha leitura”. Até porque ,gosto de significados subjetivos, intrínsecos no meu modo de às vezes colocar palavras e pequenas expressões entre aspas, mudando-lhes o significado para algo que deve ser descoberto – não está ali!

E esta é a minha “busca”: Busco sempre algo que, de alguma forma, não está ali!

Que estranho? Muitos dirão. Entretanto, quem um dia afirmar que busca algo concreto, que atire a primeira análise – e logo verá que nunca buscou nada de realmente existente: as pessoas (eu também) se acostumaram com nuvens: nuvens de projeções psicológicas, e vêem o mundo a partir da perspectivas dessas projeções atreladas à memória!

Até aí tudo bem, começo a complicar…

Entretanto, onde está a aparente dificuldade em tudo o que foi dito?

A questão é: quando tu compreendes a ilusão da busca, começam os delírios da depressão, do mal estar ou do anseio elaborado, com fins obsessivos. Inicia-se a catarse psicológica, primeiramente focada na sombra humana: aquilo que encobre a realidade e que ainda é vista.

Passo hoje, por esta sombra, como nevoa que caminha por arvoredos dificultosos, que parecem impedir a minha passagem: mas o vale está logo ali, e, na realidade, eu até gosto da resistência oferecida pelos arvoredos das tendências exteriores: deixam-me mais cômodo, menos complexo: sou mais um contraste do que uma entidade total;  mais um eu fixo do que um cambio de mutações . Sou mais manada que inteligência criativa…

Este é o contraste interior-exterior! Já deixo implícita a realidade dele…

Ele é satisfatório, quando lhe compreendemos também de forma satisfatória: eis o estado do mundo em seu afã por conforto, por vivências comuns, por ideais, enfim, por identidade social!

Tenho compreendido, por fim, que ser social demais é ser anti-social. E ser anti-social ao extremo é ser profundamente sociável!

Que grande… Verdade!

Pareceria um paradoxo se eu não entendesse intelectualmente do assunto – busco, entretanto, sua vivencia;

A busca disto leva à alienação – isso não é bom. Mas o meio termo entre essa busca e a busca do mundo com seu compartilhar condicionado, onde estaria?

Eu o vejo na equanimidade, o meio termo das ações e de tudo o que esta sendo realizado…

Esta eu encontro no nível das cognições, dos pensamentos, das elaborações e identificações de nomes e de padrões ideais para tudo o que acontece!

Para que idealizar o mundo?

– O idealismo é bom, nos leva além – é o que dizem as pessoas!

Porem, este saber “pesado” que vos ofereço os fará, por fim, descrer em tudo o que conhecem!

Preparem-se: depois de ler tudo o que tenho pra dizer, se o mundo te parecer mera ilusão, e ainda assim insistires em carregá-lo nas costas, essa grande cruz de idealismo das convenções sociais/pessoais, verás que te achará em posição agradável – mas somente até certo ponto!

Um dia, ou daqui a dois anos, quando estiveres em duvida sobre qual faculdade cursar, ou quando casares e o casamento um dia estiver ruim, ou os filhos em dificuldade, ou mesmo um vazio estranho, que traz uma falta de senso de chão, te aparecer no fim da vida: onde te encontrarás?

Serás feliz é claro, em amar teu próximo, ou melhor, os que te parecem “teu próximo”: marido, pai, irmão, filho, amigos, e até certa simpatia por alguns de tua convivência, de teus encontros…

Entretanto, quando sofreres uma mudança: quando teus filhos, já na fase adulta, saírem de tua casa, deixando só tu e teu marido, um certo vazio inevitavelmente te acometera: é o vazio da perda de algo que tinhas e agora não tens mais ;

Em todo caso, o tempo se encarregara do processo curativo, entretanto, em analise mais profunda, hora ou outra perceberas uma ferida mal cicatrizada ou uma cicatriz bem demonstrada em teus pensamentos ou em tua personalidade: há sentimentos profundos aí, guardados nos porões do inconsciente!

Acorde-o, este tirano do Ser, que maquina o mundo, o guarda e o restringe sem Seu apercebimento, e ele te trará, ou novas angustias, ou novas fugas, coisas do tipo…

Acontece que tudo isso são memórias, retratos fixos de realidades passadas que, de tão fortes e tão numerosos, impedem a realidade de fluir livremente ao encontro da vivencia do ser (não do ter ou do vir a ser…).

È um padrão reativo: na infância eras instinto, todo impulsividade e espontaneidade. Diante disso teu mundo se idealizava assim. Ocorreu que diante de certas ações, das pessoas, tu te ferias para não causar, de novo, alvoroço nelas, ou para preservar-te de certos ataques, ou mesmo para manipular as tendências delas – com o convívio exarcebado, a alegria superficial, a perspectiva sempre otimista, etc.

Isso é difícil de entender…

Depois se iniciaram as racionalizações. Com as praticas do mundo já internalizadas, te sentias mais livre intelectualmente, e menos feliz emocionalmente. Ou mais livre emocionalmente, pela sua vantajosa escolha de “adequação” ao mundo, e mais cerceado intelectualmente: uma das duas coisas sempre se refletem..

Chegamos à fase adulta, onde estou adentrado, e, agora, com minha lucidez, vejo o mundo de outra forma: preocupo-me mais comigo e me percebo mais…

Vejo que pulei a adolescência – é porque ela não é realmente importante: é o período de alienações, onde o ser decide quem será no estereotipo da sociedade, e onde ele foge pra um lado e para o outro, brinca com o convencionado, utilizando-se do apego às próprias convenções do convívio, e acaba retornando, de novo, ao seu normal, abrindo mais o coração de criança, mas permanecendo, ainda, meio alheio, um tanto triste no seu viver – isso já na fase adulta!

E assim vivo: ora feliz por sentir autonomia e liberdade, entusiasmo e contato. Ora triste por cercear vontades ou fazer o que mundo cobra, mas que eu “não gosto”. E, novamente, a atividade engrandecedora – o trabalho – faz falta à vivencia…

È hora de construir e de conhecer com paciência. A ciência se constrói devagar, com a vivencia… Decido esperar!

Cá estou ,esperando, conciliando vontades, amando…

Ahhhmmmm (bocejo). Parece q acordei agora, de um sono espontâneo.Sinto uma vontade, inconsciente, de rimar palavras. Mas não o farei: não gosto de rimar sem conteúdo filosófico! Parece perda de tempo.

Minha irmã acredita que a poesia é como uma maquiagem, você maquia muito mais pra ostentar, pra admirar o pensamento elaborado do que para mostrar algo sob novo prisma… Mas desperta, aos poucos, alguns…

Realmente não era disto que queria falar aqui. Acho que me perdi…

Depois termino este texto descontraído e trato da “busca”!

E quando a conheceres de fato, ela não mais existirá!

Se um dia a compreender e achar que a compreende, ela te sumirá!

Esta é a busca; é como dizer: o Reino dos Céus está ali, ou está acolá. Se está nas nuvens do céu, os pássaros nos precederam, se no chão, todos o conhecem – mas quem o vê?

Não busque o paraíso na terra, esqueça de si e encontres a verdade: assim dizia Jesus, em outras palavras!

Como disse, um dia explico melhor…

Eis a música que me inspirou a imagem, mostrando magistralmente que o artista compreende, as vezes sem querer, o mundo, antes da objetividade. Escutava essa música desde a infância, só hoje consigo entendê-la de fato (em linhas curtas diria: somos o céu, e as nuvens, o cotidiano, as aparências – a música nos chama pra vivenciar o pulsar simples da vida):

 

O Que Sobrou Do Céu – O Rappa.


O, la lá, o la lá, ê ah
O, la lá, o la lá, ê ê

O, la lá, o la lá, ê ê ah
O, la lá, o la lá, ê ê

Faltou luz mas era dia, o sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho refletindo o que a gente esquecia

Faltou luz mas era dia… di-ia
Faltou luz mas era dia, dia, dia

O som das crianças brincando nas ruas
Como se fosse um quintal
A cerveja gelada na esquina
Como se espantasse o mal

O chá pra curar esta azia
Um bom chá pra curar esta azia
Todas as ciências de baixa tecnologia
Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina

Pra gente ver… por entre prédios e nós…
Pra gente ver… o que sobrou do céu… o la lá

Inspirado na música, escrevo:

“Parece que a luz da alegria faltou, mas é dia: veja além da rotina – sempre!

Enxergue-se, não confundas o que vives com o mundo que acostumou-se a ver: veja para além das imagens!

Alem das aparentes interpretações, há um mundo embriagante de criatividades mil, a te esperar – ele pulsa, vibra, e te produz sofrimento até que o aceites integralmente!

Não perca tempo: veja algo além do que vê; esqueça de si mesmo! Viva o que realmente existe! Não há o que temer. Quando perdes o chão das construções passadas, o novo te regojiza e o convida a exercer, cada vez mais, integralmente, a sua inteligência. Vendo o mundo por imagens, não necessitavas nem de muito esforço nem de ‘’muita felicidade’’. “Agora que entendes isso, podes sim, ser feliz, belo e criativo…”.

“Para além do construído, existe o desconstruído!

Construa algo e já perderás o contexto do que construístes*!

Confia em tua memória e em tua inteligência… A clareza do insight daquele que tem a firmeza do inebriamenteo (de onde, segundo Aristóteles, nasce a filosofia), é muito mais certeira do que aquele que segura o mundo dentro de si para se sentir seguro – para não ter que forçar a sua criatividade.

È fácil não observar o que vês. Difícil é ver além do que pensas!

Fuja do ideal e encontrarás o real! Isso é inevitável!

O mundo não teria nada de novo se grandes homens não reconhecessem que era necessário mudar, inventar e ajudar!”

“Hoje, a clareza parcialmente reinante na ciência e nos direitos humanos, nos permite ser mais autônomos. E  o conhecimento mais livre e claro, por permitir contestações, nos chama para uma ‘’loucura’’ criativa…

Com tudo que temos, não é permitido, àquele que quer ser feliz, estagnar – pois sabe que há muito além de si!

Descubra-se e conheceras os deuses e o universo – que estão além das construções do que já sabes!

Submetam-se ao processo Socrático, por si mesmos. Perceba, então, que tudo o que falas e pensas é praticamente uma exarcebação da cognição, como se esta fosse a substância da inteligência – não o é!”

Poderia oferecer testes científicos, mas fica para outra hora…

*: O contextualizar destrói a essência do contexto quando se utiliza de padrões de saber, firmados na linguagem, para guardar o mundo que estais vivendo. A linguagem, para ser clara, deve ser secundária à observação. Comunicação é comunicação. Vivência é vivência – este é o ideal meditativo que busco viver todos os dias, por enquanto em horas específicas.

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